Relato – Meu parto normal humanizado domiciliar

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“Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe.”
Essa frase vai além do sentido poético e muito além da palavra”mãe”. Após um processo de parto nasce também uma nova pessoa. Fiz esse vídeo na intenção de me expressar melhor ao contar sobre meu parto, mas ao assisti-lo novamente antes de publicar aqui, percebi que me embolo nas palavras e deixo de explicar muitas coisas importantes. Talvez, a emoção de viver essa experiência tenha ido além da minha capacidade de entendimento, absorção e aprendizagem. Por isso, após o vídeo vou listar mais algumas coisas sobre o meu parto e minha escolha de fazer o parto normal humanizado domiciliar com a parteira Mayra Calvette, além de fotos e alguns links de matérias interessantes sobre o tema.

Obs.: O vídeo é longo, mas para quem tem interesse no tema eu recomendo que assista até o final e leia as matérias que estão anexadas no final desse post.

A relação mãe-bebê, foi um dos fortes motivos que me fez escolher o parto humanizado (nesse caso, independe se é no hospital ou em casa, basta que seja humanizado). Ao contrário da maioria dos partos normais e cesarianas, o parto humanizado defende a importância do contato do bebê com a mãe nos primeiros minutos de vida. Sempre achei bizarra a forma como o bebê é tirado da mãe logo que nasce, chorando muito, e em seguida é levado para tomar um banho bem “agressivo” e desnecessário, que é feito de forma tão mecânica no hospital. Só depois de muito tempo a mãe consegue, então, amamentar o seu filho. No meu parto o meu filho veio pro meu colo no primeiro minuto de vida, e ali permaneceu por mais ou menos 1h. Durante esse tempo eu o amamentei e estabeleci contato pele a pele, para acalmá-lo e para apresentá-lo de forma sútil ao mundo aqui fora. Durante essa 1h, ele também continuou ligado à placenta pelo cordão umbilical, que foi cortado pelo meu marido só após parar de pulsar totalmente. Dessa forma, garantimos que ele recebeu todos os nutrientes e anticorpos liberados pelo meu corpo, que são fundamentais para o bebê durante e após o parto. O meu filho também não tomou banho assim que nasceu, apenas foi limpo com um pano úmido. O primeiro banho foi feito só dois dias após o nascimento, assim preservamos o verniz que protege a pele do bebê por mais tempo, além de ajudar a manter a temperatura do corpinho dele. Tudo natural e saudável! Me orgulho de dizer que poupei meu filho, o máximo possível, de procedimentos artificiais, mecânicos e químicos.

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Reino Unido dará R$ 16 mil para incentivar mulheres a parir fora do hospital:
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Obs.1: Quando uso a palavra “sofrer” no vídeo, me refiro unica e exclusivamente ao meu estado físico, a dor. De forma alguma me refiro ao me estado emocional. No momento do parto, meu estado emocional poderia ser definido com a palavra “felicidade”.
Obs.2: Quando cito as qualificações da parteira que escolhi para o meu parto, tenho como referencia matérias que eu li e pessoas com quem conversei. Não quero minimizar nenhuma outra profissional e muito menos desqualifica-las. Por favor!

Para encerrar, deixo aqui um texto lindo:

“Orquestra harmônica do parto – por Mayra Calvette

Podemos comparar o processo de nascimento a uma orquestra, onde há um maestro (cérebro), que conduz a melodia (trabalho de parto) e regula o tempo, o pulso, a amplitude e a textura da música (a secreção hormonal, o ritmo e intensidade das contrações). O maestro rege o conjunto em busca da harmonia da melodia. A platéia aprecia vislumbrada tamanha perfeição. Aprecia e não interfere. A platéia, se comparada aos profissionais que atendem o parto, deveria apreciar a mulher em trabalho de parto, sem interferir na perfeição que é esse processo. Imaginem se cada um da platéia quisesse mudar algo durante um concerto? Com certeza a perfeição da melodia seria perturbada e é isso o que acontece com a grande parte das mulheres durante o trabalho de parto.

A maioria das mulheres dá à luz em condições que interferem no equilíbrio da melodia. Durante a relação sexual, o parto e a amamentação, que são momentos de trocas e amor, estão envolvidos hormônios que fazem parte de um todo, como a ocitocina, conhecido como hormônio do amor, e as endorfinas, que são hormônios do prazer e analgésicos naturais.

O nosso maestro é nosso cérebro, que regula nosso sistema conforme a necessidade. Nós, seres humanos, possuímos um cérebro primitivo e um cérebro racional, o neocórtex. O cérebro primitivo, que dividimos com os demais mamíferos, coordena nossas funções vitais, instintivas e é maestro da orquestra hormonal. O neocórtex é o cérebro que nos diferencia dos demais animais pela capacidade racional e intelectual. Quando este cérebro racional está super ativo, ele tende a inibir o cérebro primitivo.

As circunstâncias em que o parto acontece são muito importantes para que aconteça essa orquestra hormonal. Muitas intervenções que acontecem durante o parto acabam interferindo no processo natural do nascimento, reduzindo a liberação desses hormônios e dificultando a vivência plena, o êxtase, a sensualidade e o prazer do parto. Estímulos externos, como luzes fortes, linguagem racional, insegurança e medo dificultam a entrega, o desligar-se do mundo externo e a entrada em outro nível de consciência, ou como dizemos durante o trabalho de parto, na “partolândia”.

O parto é de natureza sexual. Uma mulher em trabalho de parto emite sons muito semelhantes aos sons emitidos durante uma relação sexual. Imaginem se nesse momento há alguém observando, pressionando e inibindo o casal? Nessas circunstâncias torna-se muito difícil conseguir relaxar e o mesmo acontece com uma mulher em trabalho de parto, pois os mesmos hormônios e órgãos estão envolvidos, o bebê é gerado e nascerá por mecanismos muito semelhantes.

Durante a relação sexual, a ocitocina chega a seu pico no momento do orgasmo e tem como função a ejeção do esperma e provocar as contrações interinas na mulher, no sentido de trazer o esperma para dentro do útero para haver a fecundação. As relações também liberam altos níveis de endorfinas, que são similares à morfina, e promovem a sensação de prazer e dependência, como se fosse uma recompensa para a sobrevivência e perpetuação da espécie.

No trabalho de parto, a ocitocina tem como função provocar as contrações uterinas que dilatarão o colo do útero e permitirão a saída do bebê. A ocitocina está em alta logo após o parto, sendo que esse hormônio induz o comportamento maternal, sendo conhecido como o hormônio do amor. Ele também gera contrações uterinas quem previnem hemorragia. Já a ocitocina sintética, comumente utilizada durante o trabalho de parto, inibe a produção da ocitocina natural e age localmente no útero para aumentar as contrações. Ela não possui os outros benefícios da ocitocina produzida pelo corpo e não respeita o tempo e a necessidade de cada mãe e bebê.

As endorfinas, durante o trabalho de parto, servem como analgésicos naturais e ajudam a mulher a entrar em estados alterados de consciência. Logo após o parto, ela gera um estado de relaxamento, prazer e também de dependência mútua entre mãe e bebê. Esse momento é reconhecido por ter extrema importância para o estabelecimento da relação entre mãe e filho.

A adrenalina é somente liberada nos estágios finais do trabalho de parto, como uma injeção de energia. É por isso que as mulheres têm a necessidade de se agarrar em algo, ficar na posição vertical, gemer, empurrar o bebê. Elas estão alertas para, logo após o parto, proteger seu bebê de eventuais predadores (necessário para os demais mamíferos). A adrenalina também deixa o bebê alerta, com os olhos abertos para reconhecimento mútuo entre mãe e filho. Muitas mulheres têm dificuldade de descansar após o parto, por estarem super alertas e super protetoras, acordando de hora em hora para ver se seu bebê está bem e seguro.

Se a adrenalina, que é secretada em condições de estresses, é liberada durante o trabalho de parto, ela pode desacelerar ou parar o trabalho de parto, diminuir a ação das endorfinas (aumentando a sensação dolorosa) e diminuir o fluxo sanguíneo para o útero, o que consequentemente diminui a oxigenação do bebê. Se um mamífero em trabalho de parto se sente ameaçado, ele dificilmente dará à luz. Por isso que muitos animais mamíferos vão ter seus filhotes em lugares escondidos, onde se sintam seguros e ninguém possa observar ou interferir. Somente depois de dias encontramos a mamãe com seus filhotinhos.

A amamentação é também um processo natural e primitivo. A prolactina é o principal hormônio para a produção do leite e a ocitonina atua na saída do mesmo. Quando o bebê suga, os níveis de ocitocina estão em alta. O nível de endorfinas chega ao máximo em vinte minutos de amamentação, gerando prazer e relaxamento para mãe e bebê, pois são liberados no leite materno.

Nossa sociedade precisa apreciar mais e interferir menos na perfeição da orquestra, que é o processo de parir. Quem quiser saber mais sobre o hormônio do amor, sugiro a leitura do livro “A Cientificação do Amor”, do autor Michel Odent e o filme “Parto Orgásmico”. “

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  1. PARABÉNS! E esse é uns dos maiores “parabéns” que ja te dei desde que nos conhecemos! Parabéns por todo material que você produziu,ficou demais! muito bom mesmo! Seu relato ficou ótimo, cheio de detalhes, informações e principalmente, cheio de verdades!
    Parabéns pela sua iniciativa e empenho em produzir todo esse material e esse mix de informações com intenção em ajudar novas pessoas e esclarecer dúvidas sobre esse momento tão especial da vida! Isso é fantastico!
    Obrigado por me proporcionar esse momento tão mágico que foi a chegadado nosso filho ao mundo, obrigado pelo privilégioque vc me deu de ver o meu filho nascer na nossa casa, no nosso quarto, na paz do nosso lar!
    Obrigado pelo privilégio que vc me proporcionou de ter ele em meus braços logo que ele nasceu, de cortar seu cordão, de vê-lo se alimentando pela primeira vez, de poder
    vê-lo dormir pela primeira vez, de vê-lo acordando pela primeira vez, pela naturalidade de tudo. Eu jamais esquecerei quão mágico foi a chegada fo nosso filho ao mundo! Muito Obrigado! Parabéns Sweet!

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